Depoimento de voluntária: Daniele Rodrigues

Festival Vênus em Fúria IV

A primeira vez em que eu ouvi falar em Girls Rock Camp foi através de uma matéria numa revista de música que eu era muito fã durante a faculdade. Na época, lembro que só existia em Portland, ou eu só registrei a informação de que era uma cidade na gringa. Anos depois vi uma outra matéria no site dessa mesma revista, já tinha chego em Sorocaba, mas fiquei triste porque era só pra meninas mais jovens e eu já não cumpria os requisitos (como idade) para participar e também porque São Paulo era uma cidade-sonho muito distante.

Corta cena para o ano passado em que eu conheci uma amiga muito querida, a Filipa que é a minha “amiga internacional”, ela nasceu em Portugal, mas mora em São Paulo já faz uns três anos e o melhor de tudo é que eu a conheci durante uma viagem ao Rio de Janeiro. Ela passou a ser minha sócia e ocupou lugar de best friend na minha vida. Durante sua participação no Ladies Rock Camp fez parte da equipe de registro e compartilhou muitas fotos do evento. Eu só conseguia pensar: “que troço que deve ser muito maravilhoso”. Meses após isso, fui convidada por outra mulher que virou uma das minhas best friend forever, a participar de uma reunião que seria meio secreta sobre a organização do Primeiro Girls Rock Camp Porto Alegre, a Maria Joana, ela não me deu muitos detalhes, só disse que ia ser no Santander Cultural e que eu estava atrasada, fiquei com muita vergonha e quase fui embora me achando derrotada por não conseguir localizar a tal da sala no lugar indicado. (Porque eu não desisti e fui embora? Não me lembro.) Mas quando adentrei naquela sala vi alguns rostos conhecidos e me senti muito acolhida.

Ainda no mesmo ano de 2016, a Filipa me chamou pra falar de uma ideia que ela teve durante a experiência dela no Ladies e que quer que eu ajude a desenvolver. Assim, nasceu o WE ARE NOT WITH THE BAND, um projeto que tem como objetivo destacar o protagonismo feminino na música e desde então a gente tem feito uma série de entrevistas com várias mulheres que já participaram do Girls Rock Camp, assim como do Ladies e que estão fazendo música de forma independente e fortalecendo a comunidade de mulheres ao redor do Brasil.

No início de 2017 eu finalmente pude participar de um Girls Rock Camp como voluntária, eu escolhi ser roadie, muito pela minha curiosidade de entender o funcionamento das coisas desde o início e porque era uma das funções essenciais que exigia disponibilidade total, porém, sem muito glamour na vida real.

Estar rodeada de mulheres que estão fazendo coisas (uma expressão irônica que eu acabei levando pra vida sempre que mulheres se juntam pra criar algo) foi uma das experiências mais intensas da minha vida que até hoje eu não tenho palavras pra descrever. Me abriu os olhos para várias questões sobre o coletivo e ao mesmo tempo sobre individualidade, a importância do diálogo quando se trabalha em grupo, a importância do diálogo quando se trabalha com crianças, ver algumas meninas tão jovens tendo a oportunidade de fazer uma atividade tão gratificante é quase que um espelho que reflete um portal para um futuro mais repleto de escolhas e auto-conhecimento.

Basicamente a existência do Girls Rock foi o pulso pra todas as coisas que rodeiam minha vida hoje, como roadie voluntária em todos os festivais “Vênus in Fúria”, a guitarra que eu voltei a tocar, o WE ARE NOT WITH THE BAND, todas as mulheres que eu conheci até então e que têm me inspirado na esperança de um futuro feminino sem a necessidade de destaque de gênero.

Obrigada a todas por tudo.

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